Série da Netflix reacende debate sobre Césio-137 e especialistas explicam por que cenário não se repete na radiologia atual
O lançamento da série Emergência Radioativa, na Netflix, trouxe novamente à discussão o acidente com o Césio-137 em Goiânia, considerado um dos episódios mais marcantes da história radiológica mundial. O caso, ocorrido em 1987, envolveu uma fonte radioativa aberta e gerou contaminação direta, um cenário completamente diferente da realidade atual dos exames de imagem.
Segundo o médico radiologista do CRD Medicina Diagnóstica, Dr. Ricardo Daher, é importante esclarecer a população sobre essa diferença. “O acidente com o Césio-137 envolveu uma fonte radioativa ativa, com risco de contaminação. Já nos exames de radiologia diagnóstica, como radiografia e tomografia, a radiação é produzida apenas no momento do exame, sob controle do equipamento. Sem energia elétrica, não há emissão de radiação”, explica.
De acordo com o especialista, os equipamentos utilizados atualmente não armazenam material radioativo, o que elimina o risco de vazamentos ou contaminação. Além disso, a prática radiológica evoluiu significativamente nas últimas décadas, com a implementação de normas rigorosas de segurança.
“Hoje, os serviços seguem exigências técnicas muito bem definidas, com controle de qualidade, manutenção periódica, protocolos estabelecidos e fiscalização constante da Anvisa, sob orientações da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)”, destaca Daher.
Outro ponto importante é a atuação das equipes especializadas. Os serviços contam com médicos radiologistas, físicos médicos e profissionais capacitados em proteção radiológica, além de treinamentos contínuos e supervisão técnica permanente.
Na prática, a segurança do paciente também está diretamente ligada à indicação adequada do exame e ao controle da dose de radiação. “Os exames são realizados apenas quando há necessidade clínica, com a menor dose possível e direcionados apenas à área de interesse. Em casos específicos, como gestantes, o cuidado é ainda mais criterioso”, afirma o médico.
O especialista ressalta que a dose utilizada em exames diagnósticos é significativamente menor quando comparada a situações como o acidente com o Césio-137, e que o benefício do diagnóstico supera amplamente qualquer risco associado. “A radiologia segura é resultado de tecnologia, controle, responsabilidade técnica e, principalmente, de uma cultura de segurança muito bem estabelecida”, conclui Dr. Ricardo Daher.